🇪🇸 A Dura Realidade de Vir como Turista e “Esperar o Arraigo” na Espanha
Muitos brasileiros chegam na Espanha como turistas com a mesma frase na cabeça:
“Eu entro como turista, fico 2 anos e depois faço o arraigo.” ou chegando lá dou um jeito. Aqui não tem jeito nem atalhos
Na teoria parece simples.
Na prática, é uma das decisões mais difíceis e arriscadas que alguém pode tomar.
Se você está pensando nisso, precisa entender a realidade — não a versão romantizada do Instagram.
1️⃣ Entrar como turista NÃO é plano migratório
Brasileiros podem entrar como turistas por até 90 dias no espaço Schengen.
Mas depois disso:
- Você fica em situação irregular.
- Não pode trabalhar legalmente.
- Não pode ter contrato formal.
- Não pode ter conta bancária normal.
- Não tem acesso completo à saúde pública.
- Vive com medo de fiscalização.
E sim — você fica dependente de sobreviver informalmente por anos.
2️⃣ “Fico 2 anos e faço o arraigo” — a meia verdade
Com a reforma do Reglamento de Extranjería, o tempo para alguns tipos de arraigo foi reduzido para 2 anos.
Mas isso não significa regularização automática.
Hoje existem diferentes tipos:
- Arraigo social
- Arraigo sociolaboral
- Arraigo socioformativo
- Arraigo de segunda oportunidade
E todos exigem requisitos muito específicos.
3️⃣ A realidade do Arraigo Socioformativo
Muita gente acha que é “o mais fácil”. Não é. Ele exige:
Permanência comprovada de 2 anos na Espanha
Matrícula em curso oficial reconhecido
Frequência obrigatória
Compromisso de formação
Depois, conversão para trabalho
Ou seja:
Você precisa estudar.
Mas como você paga suas contas enquanto estuda?
Você está irregular.
Você não pode trabalhar formalmente.
E trabalho informal é instável, mal pago e arriscado.
É uma pressão psicológica enorme.
4️⃣ A vida irregular não é simples
Vamos falar da parte que ninguém mostra:
Alugar casa
Sem contrato de trabalho:
- Proprietários pedem folha de pagamento.
- Pedem contrato indefinido.
- Pedem 2–3 meses de depósito.
- Pedem fiador.
Resultado?
Você acaba:
- Em quarto compartilhado
- Em situação superlotada
- Dependendo de conhecidos
- Ou pagando aluguel abusivo
Abrir conta bancária
Sem residência legal:
- Bancos recusam.
- Ou oferecem conta de não residente com taxas altas.
- Pedem NIE que você não tem.
Você vive basicamente no dinheiro vivo.
Familiar e dependência
Muitos vêm “porque têm primo aqui”.
Mas primo:
- Não pode te regularizar.
- Não pode te dar contrato.
- Não pode resolver sua situação migratória.
Ajuda emocional não resolve situação legal.
Trabalhos informais
A realidade:
- Construção sem contrato
- Limpeza por diária
- Entregas informais
- Trabalho pesado e mal pago
Problemas comuns:
- Não pagam
- Pagam menos do combinado
- Não há proteção
- Se houver acidente, você está desprotegido
5️⃣ O impacto psicológico
Viver irregular significa:
- Medo constante
- Ansiedade
- Instabilidade
- Impossibilidade de viajar
- Não poder visitar família no Brasil
E se você sair da Espanha antes de regularizar?
Pode ter problemas para voltar.
6️⃣ Mesmo depois de 2 anos… não é garantido
Para qualquer arraigo você precisa:
✔ Comprovar permanência contínua
✔ Empadronamiento consistente
✔ Antecedentes limpos
✔ Curso oficial (no caso do socioformativo)
✔ Contrato de trabalho (em outros tipos)
Se faltar um documento?
Pode ser negado.
E aí você continua irregular.
7️⃣ O que quase ninguém fala
A Espanha criou vias de regularização.
Mas isso não significa que o país incentiva a entrada irregular.
Inclusive, a reforma de 2025 reforça:
- Mais controle
- Mais organização dos fluxos migratórios
- Mais vias formais e estruturadas
Não é um sistema pensado para “chegar e ver no que dá”.
A verdade dura
Vir como turista esperando o arraigo significa:
- 2 anos de instabilidade
- Sem direitos trabalhistas
- Sem segurança financeira
- Dependendo de informalidade
- Com risco emocional e econômico alto
Funciona para algumas pessoas? Sim.
Mas custa caro.
Em dinheiro.
Em saúde mental.
Em dignidade.
Conclusão Realista
Se você está no Brasil, pense estrategicamente:
- É possível tentar?
Sim. - É fácil?
Não. - É rápido?
Muito menos.
Regularizar-se pela via do arraigo exige resistência, dinheiro guardado, estrutura emocional e muita organização documental.
Não é plano para quem está desesperado.
É plano para quem sabe exatamente o que está fazendo.
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